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O
FENÔMENO DIÁRIO MS

Em
um início de noite, no fechamento de um dos cadernos, o editor
Alfredo Barbara Neto me chamou para uma conversa em sua sala. Foi curto
e grosso: “Você topa escrever um livro sobre os dez anos do
Diário MS?”. Surpreso com a proposta, ponderei se ele imaginava
o tamanho de uma empreita desse nível. Respondeu que sim.
Argumentou
que a intenção era marcar o aniversário em grande
estilo e além das festas, das reportagens especiais, desejava um
livro inédito sobre a história do jornal, para ser distribuído
entre os assinantes.
Hesitei
por alguns segundos, era uma responsabilidade muito grande, havia pouco
tempo hábil para a pesquisa e, além disso, não poderia
me dedicar exclusivamente a esse trabalho porque ele quis que eu continuasse
escrevendo o editorial e editando a página de Opinião. Ficaria
desobrigado apenas com o Caderno Esporte.
No
entanto, seria uma experiência nova, um desafio. Topei a tarefa,
no final de abril de 2003.
A
idéia inicial era fazer um livro com as principais capas, e eu
não participei dessa primeira conversa. Barbara e a direção
acharam por bem investir algo mais profundo, e a história do jornal
sempre foi contada de forma fragmentada, sem muita preocupação
científica.
Com
a experiência obtida durante a Especialização em Teoria
da Literatura e Literaturas de Língua Portuguesa, feita na UFMS,
iniciei novas leituras sobre ética no jornalismo, os estudos feitos
nessa área, a deontologia, o livro narrando a transformação
da Folha de S. Paulo e entrevistas, para em maio de 2003 esboçar
o projeto e definir os primeiros roteiros. Os horizontes foram, lentamente,
se abrindo.
Foram
três longos meses de aflição, surpresas, descobertas,
indecisões, temores, consultas, reflexão e raciocínio
e devo muito a meus professores, mestres e amigos. É uma pesquisa
inédita em nível regional e concluída em curto espaço
de tempo. Há mais de uma maneira de se contar uma história
e eu tive que escolher o meu próprio caminho.
Não
é um trabalho conclusivo, pois, a partir dele, há vários
outros aspectos a serem pesquisados e discutidos. Mas o primeiro passo
está dado.
O
livro é dividido em quatro capítulos. No primeiro, há
uma reflexão sobre a participação do Diário
MS dentro da mídia regional, comparando-o a outros jornais. A história
começa no segundo capítulo, contando o período dos
três semanários embriões; o terceiro, narra o surgimento
do Diário do Povo, e seu conteúdo foi subdividido nos principais
fatos de cada ano, contando como esses fatos nacionais e internacionais
foram abordados pelo jornal.
O
quarto relata o nascimento do Diário MS e como tem sido o seu desempenho
jornalístico e comercial dentro da indústria cultural. O
livro não se limita às veredas douradenses, mas traz muitas
informações sobre o exercício do jornalismo local
e regional.
A primeira edição contém apenas dez exemplares em
comemoração aos dez anos do jornal. Mas a segunda já
está sendo organizada com maior número.
Boa
leitura!
Luís Carlos Luciano
Livro
completo...
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O TRABALHO LITERÁRIO DE NICANOR COELHO

“A pesquisa fala da origem do autor, de suas peraltices, suas
sombras, lampejos de emoção, cantos de liberdade,
vontade de fazer do verbo um verdadeiro significado para a vida.
Em dados momentos, este estudo apresenta mais dúvidas e perguntas
do que respostas. Não podemos aspirar a todas as respostas
quando se conversa com o vazio, com a imaginação e
com a felicidade que se transforma e se molda como se fosse uma
alquimia, surpreendendo quem deseja inquirir.
(LUCIANO, 2003, P.21)
Carlos
Magno Mieres Amarilha
Historiador
Esboço
de um retrato do poeta
Nicanor Souza Coelho, filho de Manoel Coelho e Josefa Souza Coelho,
nasceu em 2 de outubro de 1968 em Fátima do Sul, cidade do
interior de Mato Grosso do Sul, distante cerca de 250 km da capital,
Campo Grande. O gosto pela poesia começou a ser despertado
aos sete anos de idade, quando entrou para a Escola Rainha dos Apóstolos
Vila Vicentina, comandada por padres palotinos, no distrito de Vicentina,
município de Fátima do Sul, onde estudou até
o terceiro ano primário.
O ambiente propício para as artes, a literatura, a filosofia
e as reflexões influenciou seu futuro literário. Das
infantis e ingênuas declamações em datas comemorativas
durante o
período escolar, foi rascunhar seus primeiros escritos somente
aos 19 anos. A família mudarase para Dourados quando Nicanor
contava 8 anos, onde ele reside até hoje, cidade palco de
sua atividade literária, distante 25 quilômetros de
Fátima do Sul. A sua infância coincidiu com a popularização
da televisão brasileira, período em que a família
Coelho se reunia na sala para
assistir à programação, principalmente ao Jornal
Nacional e à novela das oito.
O sr. Manoel tinha o costume de desligar a tevê depois da
novela, quando todos se sentavam na varanda e ele contava histórias,
cena que se repetiu até os 15 ou 16 anos de Nicanor Coelho.
Mas o filho somente foi encontrar semelhanças naquelas histórias
quando, mais tarde, conheceu a literatura de cordel e os clássicos
literários. Apesar de o pai gostar de ler, nunca chegou a
ter contato com as obras clássicas. Ele certamente ouviu
as histórias de outras pessoas.
Aqueles momentos em família foram estimulantes para o jovem
aspirante às artes literárias. Nicanor Coelho terminou
o Ensino Fundamental na Escola Luterana Concórdia.
Freqüentou o Ensino Médio na Escola Alvorada e o Superior
no Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran), concluindo
em 2001 o Curso de Letras (Licenciatura
Português/Literatura).
Antes
da iniciação jornalística, foi office-boy e
auxiliar de escritório no período de 1982 a 1984 na
Construtora Rigotti Ltda; exerceu funções administrativas
no Condomínio Edifício Adelina Rigotti entre 1985
e 1986 e na Cargill Agrícola S.A. em 1987.
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